sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Depoimentos sobre "Balada de um Palhaço"

"Vocês são a garantia de que o teatro ainda tem muito fôlego. Escrevo aqui, breves linhas que traduzem uma grande e grata impressão.
Poucas vezes choro ao assistir colegas trabalhando. Mantive a pose, enxuguei o cantinho do olho, mas, por pouco, a jurada não dava bandeira.
Honestamente, eu ainda não havia tido a oportunidade de conhecer o texto de "Balada de um Palhaço".
Apesar da crueza flagrante, o lirismo expõe a alma delicada de Plínio Marcos.
Tudo na medida, interpretação, figurino, cenário, tudo combinando com o talento de dois atores extraordinários. Ficava esperando um cochilo, um deslize, uma respiração errada, uma gaguejada, e nada.
A reunião de uma equipe afinadíssima faz deste, um espetáculo que merece ser visto em qualquer palco do mundo, principalmente onde houver ainda, um palhaço buscando a sua alma. Parabéns!"



Magdalena RodriguesPresidente
Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos
de Diversões do Estado de Minas Gerais
Setembro/2007
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O espetáculo BALADA DE UM PALHAÇO é um belo texto de Plínio Marcos encenado aqui em Goiás com acerto e muita poesia.
O diretor Danilo Alencar soube conduzir os atores e toda sua equipe de produção artística pelos meandros sutis das palavras do autor paulista e, assim, logrou um espetáculo teatral, vigoroso e estético. A começar dos atores, ambos adequados aos papéis e seguros de sua interpretação que, muitas vezes, chega a comover o espectador.

O humor cáustico e crítico de Plínio Marcos está intacto nas entrelinhas o que caracteriza um teatro inteligente e contundente, característico do autor que nunca escrevia apenas para divertir, mas para fazer pensar.

Embalado por figurinos muito criativos e uma trilha sonora intrigante e precisa BALADA DE UM PALHAÇO é, portanto, um desses espetáculos feitos para emocionar, refletir e divertir, como queria Brecht.

A cada novo trabalho percebe-se claramente a evolução do diretor Danilo Alencar e sua mão firme gerando harmonia dos seus artistas com toda equipe de criação.
Isso se reflete no processo de trabalho e, conseqüentemente, no resultado dele sobre o palco: teatro de qualidade.
Numa época em que o teatro recorre as soluções fáceis e textos superficiais para agradar às platéias é muito instigante rever Plínio Marcos, um autor que amava de fato o Teatro e conhecia a função social dele.
Vida longa a BALADA DE UM PALHAÇO.

Marcos Fayad
Ator e diretor de teatro da Cia Teatral Martim Cererê.
Maio/2007
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Picadeiro poético


Um dos últimos textos escritos por Plínio Marcos, Balada de um Palhaço ganhou produção do Grupo Arte & Fatos, da Coordenação de Arte e Cultura da Universidade Católica de Goiás.


Produzido com o Prêmio Miriam Muniz de Teatro, concedido pela Funarte/Ministério da Cultura e Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o espetáculo, que estreou em dezembro de 2006, é um dos bons momentos do trabalho do grupo, dirigido por Danilo Alencar há 17 anos.


Escrito em 1986, enquanto o autor se recuperava de um enfarte, a peça narra a história de dois palhaços, Bobo Plin (Edson de Oliveira) e Menelão (Bruno Peixoto em ótima atuação), dono de um circo decadente, único meio de sobrevivência dos dois. Enquanto Menelão só pensa nos lucros e em escapar da falência explorando o trabalho alheio, Bobo Plin, o pobre palhaço procura um meio de escapar da profissão que desempenha por necessidade.


Diferentemente de outras obras do consagrado autor de Navalha na Carne e Dois Perdidos Numa Noite Suja, que enfocam o universo marginal, o submundo da marginalidade, das prostitutas e dos cafetões, Balada de um Palhaço toca a alma do espectador pela poética da narrativa, explorada com firmeza e muita sensibilidade pelo diretor.


Danilo encontrou soluções simples, mas interessantes, para abordar uma questão tão complexa como a infelicidade e as fraquezas humanas, mesclando as linguagens do teatro e do circense, sem descambar na caricatura ou na encenação apelativa. Venceu o desafio com a competência que já mostrou em outros trabalhos como Zumbi dos Palmares, Toca, Marilis! e A Clara do Ovo, espetáculos premiados em diversos festivais.


A parceria com profissionais como o maestro Jarbas Cavendish (trilha sonora original), a bailarina Letícia Ramos (preparação corporal), Rosi Martins (figurino) e Paulinho Pessoa (cenografia) enriqueceram a produção.


Recentemente, o grupo Arte & Fatos participou da Mostra Sesc Cariri de Artes, no Ceará, integrando uma trupe de 120 companhias de teatro de todo o País, e deve retornar ao palco em breve para uma temporada mais longa de Balada de um Palhaço.


Valbene Bezerra
Jornalista
Novembro/2006
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Balada de um expectador


Walter Benjamin afirmava que mais vale um espasmo no diafragma do que um espasmo na alma, trocando em miúdos, mais vale uma boa gargalhada do que um suspiro melancólico.


Balada de um palhaço é um trabalho que traduz, de algum modo, as duas sensações abordadas, pois povoam o palco de forma intermitente. Não por acaso, um dos palhaços parece melancólico enquanto o outro busca o riso fácil, entretanto o melancólico é na verdade aquele que está desesperado por conseguir rir, mais rir despudoradamente e com verdadeira alegria. Objetivo que é, por repetidas vezes impedido de ser alcançado por uma realidade povoada de medos, e que, desde logo prescinde do riso e do gozo.


O texto foi trabalhado de forma envolvente pelo diretor e por seus magníficos atores. O lúdico teima em se fazer presente, mesmo à custa da dor que invariavelmente apresenta-se como seu antípoda. O público ri ou parece chorar e chora quando parece estar se desmanchando em gargalhadas.


Um verdadeiro espetáculo!


Elias NazarenoDoutor em Sociologia formado na Universidadede Barc elona-Espanha (ano de 2003)
Julho/2007
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Agradecimento
À Srª Ednea Maria B. de Sousa
Coordenadora de Cultura – SESC/GO

Ednea,
Muitíssimo agradecido pela indicação da BALADA DE UM PALHAÇO. Os meninos encantaram o projeto da IV ALDEIA SESC POVOS DA FLORESTA, bem como o público. O espetáculo aconteceu literalmente. O Edson é um amor de pessoa. Ficamos todos felizes em poder recebê-los aqui. Eles também amaram a Aldeia.
Acredito nessa política de parcerias. Nunca poderíamos conhecer de perto o trabalho dos meninos se não pela força motriz de uma parceria entre os DD.RR. O espetáculo tem uma qualidade inquestionável, com um cenário bem cuidado, um figurino pensado, duas belíssimas interpretações em cena de dois atores, onde quimicamente se completam e fazem acontecer o espetáculo e destaco a direção cênica muito bem cuidadosa. Resumindo: o espetáculo tem todas as características que o PALCO GIRATÓRIO adora ter. E aí caímos naquele quesito da figura de um funcionário incluso no projeto. Que pena!!!! Esse espetáculo merece correr o país.
Quero agradecer mais uma vez pela indicação.

Beijos
Genário Dunas
SESC/AP
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Um nariz de palhaço...

Ontem fui ao teatro. Claro que como homem de teatro essa afirmação parece simples e óbvia, mas hoje falo sobre algo diferente: Ser arrebatado pelo poder criador. Eu fui ao teatro e saí transformado. É isso que o teatro faz (ou deveria). Fui assistir à montagem goiana de “Balada de um palhaço” de Plínio Marcos.

O texto, por si só, considero a melhor obra do dramaturgo paulista. Junte-se a isso a genialidade de uma direção coesa, sensível e cheia de simbolismos. Acrescente o trabalho de dois grandes atores em algo muito próximo da perfeição no palco e elementos muito bem casados e acrescidos à história: figurino, cenário, luz, sonoplastia, adereços... Enfim! Um verdadeiro ESPETÁCULO assim: com todas as letras maiúsculas.

Devo acrescentar que eu já havia visto a peça anteriormente três vezes e posso atestar de camarote que o diretor tem o mérito de não considerar o trabalho pronto jamais. Todas as vezes que vi a peça ela estava melhor. E agora, na minha simplória avaliação, atingiu seu ápice! Com as marcações muito criativas e não roubando a cena do texto, que é ponto essencial e centro inquestionável da montagem. O texto fala da busca de um ator por sua alma. E se Edson de Oliveira e Bruno Peixoto procuravam a sua a encontraram e, melhor ainda, a ofereceram pra nós ontem à noite. Dormi embalado pelo palhacinho que procurava sua alma e pelo dono do circo que a perdeu e sem perceber, se ressente do outro que busca o tesouro para o qual ele não tem mais o mapa.

Dormi com a cabeça longe, lembrando dos grandes artistas, pensando na verdade que vem da arte. Da transformação pura e simples exercida pelo poder do artista em nos tocar no que temos de mais misterioso: nossa humanidade perdida nos turbilhões da falta de tempo, na falta de cuidado para com o outro, na globalização que nos coloca em linhas de montagem do pensamento moderno. Ou à falta dele.

Ser tocado a tal ponto torna fácil compreender porque o espetáculo é a peça goiana que mais ganhou prêmios no Brasil todo nos últimos tempos. Porque o espetáculo é tão festejado e porque todos amam o Bobo Plin e Menelão (bestão, bobão, bestalhão e entendão!). Porque nós somos eles. Quantas vezes nos sentimos dos dois lados da moeda? Quantas vezes no dia nos dizemos da necessidade de recuperar nossas almas? Quantas vezes por dia nos ressentimos daqueles que conseguem fazer isso e mostrar quem são?

Ah queridos amigos, estou escrevendo e me emocionando outra vez. Por perceber que muitas vezes sou o Menelão com seu chicote-açoite, e por perceber que muitas vezes sou aquela máscara borrada, aquele riso incontrolável e desesperado, aquele olhar triste do Bobo Plin. Eu fui tocado ontem a noite e quero apenas agradecer. Ao espetáculo, aos atores, ao diretor Danilo Alencar e ao Plínio Marcos por me ajudar a lembrar que faço parte desse circo fantástico que é a vida do artista. O picadeiro da vida está sempre com as luzes acessas esperando pelo próximo espetáculo. E que ele venha.

Wellington Dias
Agente de Cultura – SESC/GO
27/04/2009

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