A PARÁBOLA DO CIRCO DA VIDA
Por Augustín Núñez
Director do Centro de Investigación y
Divulgación Teatral de Paraguay
O 22º festival Internacional de Teatro Universitário foi feito em Blumenau, Brasil, dos dias 3 aos12 de julho do ano atual. Foram incluídos grupos de grande parte do Brasil como de outras latitudes, oferecendo conseqüentemente uma amostra do que se está fazendo atualmente em cada localidade.
Como algo curioso, emergiu no meio de tudo um grupo de Goiás que como surpresa nos ofereceu uma posta em cena muito boa da última obra do famoso autor braseiro Plínio Marcos (“A balada do palhaço”), escrito em seu leito de morte em tributo a sua esposa. De alguma maneira deixou com ela seu testemunho sobre o teatro, suas falências e virtudes. Danilo Alentar, diretor da “Balada de um palhaço” recreia-nos o mundo do circo, a parábola deste circo da vida, onde na procura pelo verdadeiro, constantemente nos submetemos a pressões e imposições.
Em ocasiões anteriores, o diretor de cinema Federico Fellini já recreou-nos este mundo. Também no teatro Timochenko Whebi do Brasil (“Palhaços”) e José Antonio Pratt Mayans (“A tortura como uma das belas artes”) no Paraguai. Mas este sensível e criativo diretor vai muito mais longe, já que dentro do mesmo vai fazendo uma especial homenagem ao autor, recorrendo a imagens ou fragmentos das obras anteriores de Marcos, como “Faca na carne”, “Dois perdidos em uma noite suja” e do “O abajur lilás”.
A mão a mão entre seus atores não dá espaço ao aborrecimento ou a lugares comuns onde facilmente pode cair uma peça como esta. Danilo Alencar incluiu na mesma, imagens de extremada beleza que fazem que a peça chegue ao espectador sem nenhum esforço.
Com profunda poesia, ele vai resgatando do sórdido mundo de Marcos, os valores essenciais do artista, e porque não, do ser humano. A visão é de uma rigorosa delicadeza, considerando até os mais mínimos detalhes, na cor, na textura, nas luzes e na música. Para contar-nos esta historia o diretor recorre a variadas linguagens como a de clown, das sombras chinesas, dos zancos, a acrobacia e a magia; para conduzir-nos por mais de uma hora, a transformação deste palhaço não conforme, quem é o Bobo Plin (cansado dos velhos truques para divertir), pressionado pelo cruel Menelao, dão um exemplo de atuação e além muito virtuoso com o uso do ritmo, do texto, da dicção e da interpretação.
Una clara direção vislumbra-se atrás deste espetáculo, que sem dúvidas, é um desafio ao aborrecimento e a estupidez. Neste Festival, não é à toa que esta peça levou os prêmios de “Melhor cenografia”, “Melhor vestuário” e “Melhor atuação” (Bruno Peixoto). Finalmente, só nos resta agradecer que ainda exista este tipo de obras, que jamais poderão ser superados pela de outros meios recebidos através de aparelhos.
Augustín Nuñez, Bruno Peixoto, Pita Belli, Fernanda Fernandes e Leandro. Noite de premiação.
Será que estamos felizes? Momento do anúncio do prêmio de Melhor Ator: Bruno Peixoto
Leitura do "Balada", para Colombianos
Colombianos, Catarinenses, Goianos, Gaúchos, Paraguaios, Paulista e Cariocas











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